Ela não obedecia seu pai, não
obedecia sua mãe, mal respeitava seu irmão. Não tinha amigos. Não se prendia a
ninguém. Nem a algum lugar.
Ela era do mundo.
Seu cabelo
vermelho arrepiado chamava atenção, suas tatuagens também, mas ela não se
importava com isso. Aliás, ela não se importava com nada.
Sua falta
de dinheiro, a asma e a ligeira falta te coordenação motora eram meros
detalhes, nada que a impedisse de fazer tudo que queria. Tudo.
Aprendera a
surfar e quase se afogara. Saltara de para-quedas e desmaiara. Não importava.
Sempre quisera fazer isso.
Agora ela
viajava pelo mundo. Desertos, ilhas, mares, céus; do ocidente ao oriente, do
norte ao sul.
Ela queria
conhecer o mundo, conhecer as pessoas e deixar que as pessoas a conhecessem,
que o mundo a conhecesse. Queria ver e sentir o mundo, e queria que o mundo a
sentisse. Que ele a admitisse, como
muitos não faziam. Queria sentir tudo ao mesmo tempo.
Ela era do mundo.
